É na ponta do pequeno delta que se forma no encontro entre os rios Stour e Avon, extremo sul da Grã-Bretanha que se encontra o Priorado de Christchurch. Ali, antes dos rios morrerem no oceano, está uma das igrejas mais antigas de toda a Inglaterra.
A primeira igreja foi erguida no local no ano de 800, pelas mãos dos Saxões. Quando o vilarejo medieval caiu sob o domínio dos Normans, o templo conhecido como um lugar de orações e romarias foi mantido, mas uma nova igreja precisaria ser construída para os novos donos do poder. E aquela igreja começada em 1094 é a mesmo que permanece viva hoje, respirando por concertos religiosos de órgãos e donativos de turistas.
O templo nunca se chamaria Church of Holy Trinity, a Igreja da Santíssima Trindade, como foi imaginado pelos seus construtores e o vilarejo não seria mais conhecido como Twynham, depois do que aconteceu naquela obra.
Uma viga curta demais
A matéria empregada na construção não tinha somente o valor espiritual. As vigas que dariam sustento ao teto, por exemplo, eram de madeira cara e nobre, vindas de New Forest. Os construtores coçaram a cabeça quando descobriram que os carpinteiros que trabalhavam na obra haviam cortado a viga de forma errada. Era curta demais. A tarde já caia e, cansados, deixaram a decisão do que fazer para a manhã seguinte.
De manhã, ao chegarem na obra estava lá uma viga de madeira nobre, cuidadosamente colocada no lugar certo e no tamanho exato e sem nenhum vestígio do prodigioso carpinteiro que tinha feito o primoroso trabalho. Tal carpinteiro, aliás, era o único que não almoçava com os demais construtores, não aparecia nem para receber o ordenado. Daquele dia em diante ele nunca mais seria visto. Então os construtores perceberam, enfim, quem era aquele homem misterioso. Era Jesus Cristo.
A partir de então a igreja foi batizada com o nome de seu salvador, Christchurch, a igreja de Cristo, assim como o vilarejo.
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