Nessa semana quero que você pensem em heróis e dragões. O que eles significam para você?
São Jorge, o Dragão e a Princesa

Dia 23 é feriado no Rio. A comemoração serve a um padroeiro não-oficial, São Jorge, já que o título oficial de padroeiro dos cariocas é São Sebastião. No Brasil, a figura do guerreiro Jorge também é ligada ao Corinthinas, um time que une uma multidão de torcedores apaixonados.
Fico impressionado como São Jorge é uma figura mitológica, que teria surgido na Capadocia, seja tão forte por aqui no Brasil. Sua história vem da idade média e, no molho do caldo multicultural, o mártir cristão-católico foi enegrecendo e o manto vermelho vivo foi colocado num guerreiro matador de dragões, muito parecido com Siegfried. No sincretismo com a Umbanda ganhou um novo lar, a lua, onde a luta com o dragão é eterna, morre e revive todos os meses num ciclo mais antigo que os nossos olhos.
O matador de dragões
Conta o Wikipedia segundo baladas medievais ,
“Jorge encontrou um pobre eremita que lhe disse que toda a cidade (Syle´n) estava em sofrimento, pois lá existia um enorme dragão cujo hálito venenoso podia matar toda uma cidade, e cuja pele não poderia ser perfurada nem por lança e nem por espada. O eremita lhe disse que todos os dias o dragão exigia o sacrifício de uma bela donzela e que todas as meninas da cidade haviam sido mortas, só restando a filha do rei, Sabra, que seria sacrificada no dia seguinte ou dada em casamento ao campeão que matasse o dragão. Ao ouvir a história, Jorge ficou determinado em salvar a princesa. Ele passou a noite na cabana do eremita e quando amanheceu partiu para o vale onde o dragão morava. (…) O dragão, ao ver Jorge, sai de sua caverna, rosnando tão alto quanto o som de trovões. Mas Jorge não sente medo e enterra sua lança na garganta do monstro, matando-o. Como o rei do Marrocos e do Egito não queria ver sua filha casada com um cristão, envia São Jorge para a Pérsia e ordena que seus homens o matem. Jorge se livra do perigo e leva Sabra para a Inglaterra, onde se casa e vive feliz com ela até o dia de sua morte, na cidade de Coventry.”
Mil faces de um herói
Quem leu “O Herói de Mil Faces”, de Joseph Campbell, sabe que Jorge percorre o caminho comum do monomito do herói, a jornada semelhante de todos os heróis guerreiros de nossa sociedade. O herói guerreiro se vê em uma aventura, salvar a donzela das garras de um monstro feroz. E o que faz o herói? Joga a lança no pescoço do dragão e conquista o amor da princesa.
Aprendi com Campbell que mito está longe de ser sinônimo de mentira. Essas histórias são canções da vida que se manifestam em metáforas, como sonhos coletivos. O herói sou eu, você, que tem que todos os dias lutar, morrer e renascer para transformar a realidade.
E o dragão? A figura do deste monstro – do dragão ocidental/medieval – representa… eu ou você. Ou melhor, o ego, aquilo que precisa ser transformado para o nosso despertar espiritual, a conquista da princesa. Não é raro o guerreiro ter que fugir com a princesa para viver feliz num mundo distante, a passagem para a vida adulta ou a morte da vida anterior que deu origem à nova vida.
A história de Jorge conta um pouco da história de nós mesmos, quando decidimos enfrentar nossas sombras, transformadas em monstros enterrados, suprimidas nas cavernas de nosso inconsciente.
E já que o Jorge é você e eu, quero que você me conte quais são as roupas e armas que você usa para transformar. Quais são…? Quais?
[...] há um paralelo entre A história de São Jorge contra o Dragão é representada e uma construção mitológica contemporânea do cinema, no [...]
[...] This post was mentioned on Twitter by Tatiana Favaro and Rafael Jorge, Karam Valdo. Karam Valdo said: Viva Jorge Guerreiro #SalveJorge http://bit.ly/aJiKVE [...]