As pazes com Hipnos
Abril 16, 2008 de Karam
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Os parágrafos de Nuno Cobra emaranharam-se em meus pensamentos.
“Dar-se ao sono, mergulhar em nossa natureza primordial, é render-se aos profundos mistérios que nos cercam, fundamental declaração de auto-estima. Prova viva do profundo amor ou desamor de cada um por si mesmo.”
Estou lendo o seu livro, A Semente da Vitória, no ponto mais polêmicos - e mais simples também – da teoria do Nuno Cobra, onde ele diz que dormir é a base de todo o seu trabalho.
Nuno Cobra recomenda que nós acertemos os relógios biológicos em acordo com o dia. Isso significa começar a se preparar para o sono às 17h30, ir dormir – no máximo – às 10h (quá-quá-quá) e se programar dormir oito horas, no mínimo.
Confesso que antes dessas palavras eu sentia uma espécie de prazer ao dormir tarde e conseguir acordar cedo, como se isso fosse uma demonstração de força diante das imposições da natureza. Mas os parágrafos do Nuno Cobra emaranharam-se nos meus pensamentos, mergulhar na minha natureza primordial é me encarar sem máscaras ou desculpas no mundo inconsciente da minha sabedoria e da sabedoria de minha espécie, é saber o que minha essência diz sobre mim.
Diante do que penso sobre mim, da minha energia psíquica livre de qualquer ética e embebida do instinto tomo conhecimento dos meus demônios e deuses. Com a consciência em plena atividade, fico mais distante de mim mesmo, o que confesso às vezes ser tão confortável como enganador.
Tenho um medo do sono que é próximo ao medo da morte. Não me admira que Hipnos é irmão gêmeo de Thanatos. Hipnos é o deus grego do sono e Thanatos, da morte.
Dormir e morrer tem suas semelhanças. Dormir e morrer nos aproxima da nossa natureza primordial, da essência da Vida. Dormir nos libera da consciência tanto quanto a morte. E nas profundezas da inconsciência podemos encontrar as respostas enquanto a Vida reconstrói o nosso corpo ou nossa alma. O sono e a morte da mesma maneria, em níveis diferentes, é o momento do acerto de contas. Por isso o meu dormir bem ou reflete que rumos que dou à minha vida.
…
Hipnos mora numa caverna, onde a luz do sol nunca chega. Seu guardião é seu filho, Morfeu que protege seu sono e é dono das histórias do inconsciente. A Hipnos só concerne mesmo o dormir, ele deve ao dormir sua existência.
Quero entrar em paz ali nessa morada e olhar para prateados de Hipnos. Não vou dormir às dez. Mas, pelo menos hoje, vou tomar um chá de Tila, me tranqüilizar para a conversa comigo mesmo. “O sono é um diálogo interno, uma conversa da pessoa com ela mesma. Não se trata de discutir o por que ou como se dorme. A questão é que tem que dormir. É algo muito concreto”.
Leia um mini-conto sobre o assunto no Cápsulas de Ficção.
Por isso, entrego-me a Morpheus, deus dos sonhos… assim vamos sobrevivendo