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Acabo de ver o final de um documentário sobre mapas mentais. São mapas que criamos em nossas mentes para tornar mais fácil a tarefa de nos localizarmos no mundo.
Me chamou a atenção porque nunca fui um bom localizador de lugares, com mapas mentais sou um desastre. E eles falavam justamente da capacidade humana de estabelecer referências, pontos para acharmos o caminho de volta (ou da próxima ida), neste caso sempre usei miolos de pão de Maria.
Para elaborarmos nossos mapas mentais precisamos da memória. E eles disseram mais, mapas e memórias estão intimamente ligados com nossas emoções. Assim, o que determina a escala de nossos mapas mentais é o que sentimos. Um exemplo: o mapa mental do bairro onde nasci e cresci é bem mais detalhado do que horas e horas numa estrada. No bairro vejo os cachorros, as árvores que tenho que desviar no meio da calçada rachada, vejo as crianças do vizinho. Na estrada vejo asfalto e linhas, branca e amarela – quantas vezes eu já não me perguntei se estava no caminho certo? – a escala aumenta.
Voltar para lugares onde fui feliz me traz de presente um pacote de memórias, cheiros, pessoas e lembranças de situações que fazem daquele lugar um lugar só meu. Não existe para mais ninguém pelo simples fato de que as minhas emoções e as minhas memórias são únicas e restritas aos meus limites. O lugar é uma ilusão do que senti.
Tive a feliz oportunidade de conhecer, recentemente, a Europa. Nesta viagem, que fiz muito bem acompanhado pela minha namorada, visitei lugares que só existiam (para mim) nos livros. Eram até então frios. A Torre Eiffel era um monumento, apenas.
Eu sinceramente (e ingenuamente) não imaginava as pessoas em volta na fila para subir e muito menos tinha pensado que ela era devorada por uma cidade e que ali viviam pessoas, que “FraçoiS” precisam passar ali para comprar o pão ou ir ao trabalho. Logo ao lado da torre a vida rodava feito carrossel, estátuas e pessoas debaixo de um céu cinza e gelado de inverno.
Tinha um mapa bidimensional da torre e de Paris. Tínhamos o mapa fisicamente, num papel entregue pelo guia. Resolvemos, para infelicidade de nossas pernas, seguir o conselho de passear a pé pela cidade. Cada pequeno monumento no mapa era imenso. A Champs-Élysées se desenrolava como um tapete quase infinito do Arco do Triunfo até o Louvre. E andamos um bocado até cansar numa cidade enorme. Será que era do tamanho de minhas emoções?
De qualquer forma, quero voltar a Paris para saber mesmo se ela é do tamanho dos meus sonhos.
Ótimo texto karam.
Fiquei agora com vontade de descobrir sobre os meus mapas guardados na memória. Quero esse documentário! rs
Talvez seja uma vontade que vai além, inspirada na “ingenuidade” dos vizinhos de “O caçador de pipas”. Acho que todos queremos – pelo menos por um momento – viajar por esses nossos mapas guardados.
E obrigado por vc, em tão poucas linhas, proporcionar isso.
Abração!
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