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Abraço
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É na ponta do pequeno delta que se forma no encontro entre os rios Stour e Avon, extremo sul da Grã-Bretanha que se encontra o Priorado de Christchurch. Ali, antes dos rios morrerem no oceano, está uma das igrejas mais antigas de toda a Inglaterra.
A primeira igreja foi erguida no local no ano de 800, pelas mãos dos Saxões. Quando o vilarejo medieval caiu sob o domínio dos Normans, o templo conhecido como um lugar de orações e romarias foi mantido, mas uma nova igreja precisaria ser construída para os novos donos do poder. E aquela igreja começada em 1094 é a mesmo que permanece viva hoje, respirando por concertos religiosos de órgãos e donativos de turistas.
O templo nunca se chamaria Church of Holy Trinity, a Igreja da Santíssima Trindade, como foi imaginado pelos seus construtores e o vilarejo não seria mais conhecido como Twynham, depois do que aconteceu naquela obra.
Uma viga curta demais
A matéria empregada na construção não tinha somente o valor espiritual. As vigas que dariam sustento ao teto, por exemplo, eram de madeira cara e nobre, vindas de New Forest. Os construtores coçaram a cabeça quando descobriram que os carpinteiros que trabalhavam na obra haviam cortado a viga de forma errada. Era curta demais. A tarde já caia e, cansados, deixaram a decisão do que fazer para a manhã seguinte.
De manhã, ao chegarem na obra estava lá uma viga de madeira nobre, cuidadosamente colocada no lugar certo e no tamanho exato e sem nenhum vestígio do prodigioso carpinteiro que tinha feito o primoroso trabalho. Tal carpinteiro, aliás, era o único que não almoçava com os demais construtores, não aparecia nem para receber o ordenado. Daquele dia em diante ele nunca mais seria visto. Então os construtores perceberam, enfim, quem era aquele homem misterioso. Era Jesus Cristo.
A partir de então a igreja foi batizada com o nome de seu salvador, Christchurch, a igreja de Cristo, assim como o vilarejo.

Publicado em Mitologia, Religare | Etiquetado Christchurch, Jesus Cristo, milagre, templos | Deixar um comentário »
Walter foi convidado para participar do 79. Fórum do Comitê Paulista para a Década da Cultura de Paz, no dia 13 de abril no auditório do MASP.
Lá ele favou sobe sobre ritos, simbolos e a busca de significados. Sobre violência e o mito como alicerce da paz:
“A violência representa a quebra de uma conexão, uma ruptura do tecido da vida que produz reações primárias nas pessoas como o medo e a raiva, provocando fugas ou brigas”
“A criação de metáforas, mitos e narrativas modula as atividades cerebrais, ajudando a lidar com esses impulsos básicos”
Leia o texto completo de Amanda de Paula no Blog do Núcleo Granja Viana da Fundação Joseph Campbell.
Publicado em Mitologia | Etiquetado Fundação Joseph Campbell, Granja Viana, Mito, paz, Robert Walter | 1 Comentário »
Minha vida é uma história de um inconsciente que se realizou“
C. G Jung
Dizem que a vida imita a arte. Eu imaginei, na poesia ‘ciclo’, que a arte imita o mito.
Joseph Cambell disse que o mito é a canção da Vida. Assim, na visão dele, a canção é o veículo do mito. E o que é uma canção se não uma peça de arte?
Disse que a arte imita o mito inspirado por diversas pinturas da arte religiosa que já tive a oportunidade de ver, as quais procurei prestar atenção em cada detalhe, sem mesmo saber o porquê. Imaginava a razão por trás de repetir as histórias já tão esgarçadas, manifestas, recontadas. Por que retratá-las de novo?
Acho que uma das respostas é, precisamos retratá-las de novo para contornar com realidade os símbolos do inconsciente – ou do inconsciente coletivo tal qual os mitos – para que a consciência deguste seus significados de forma mais fácil.
No cinema contemporâneo também se reconstroem os mitos. Há sim um lado comercial, explorado a exaustão por Hollywood que usa jornadas mitológicas para criar identificações profundas e vender mais. Não julgo. Prefiro pensar que a reconstrução do mito é benéfica já que nos mune de ferramentas para transformar a realidade.
Aqui há um paralelo entre A história de São Jorge contra o Dragão e uma construção mitológica contemporânea do cinema, no filme Matrix de 1997.
Para quem não se lembra, as cenas seguintes mostram que, depois de vencer o agente Smith, Neo encontra sua ‘princesa’ Trinity e inicia uma nova história.
Publicado em autoconhecimento, Mitologia | Etiquetado arte religiosa, C. G. Jung, Joseph Campbel, mito comtemporâneo | 2 Comentários »
Nessa semana quero que você pensem em heróis e dragões. O que eles significam para você?
São Jorge, o Dragão e a Princesa

Dia 23 é feriado no Rio. A comemoração serve a um padroeiro não-oficial, São Jorge, já que o título oficial de padroeiro dos cariocas é São Sebastião. No Brasil, a figura do guerreiro Jorge também é ligada ao Corinthinas, um time que une uma multidão de torcedores apaixonados.
Fico impressionado como São Jorge é uma figura mitológica, que teria surgido na Capadocia, seja tão forte por aqui no Brasil. Sua história vem da idade média e, no molho do caldo multicultural, o mártir cristão-católico foi enegrecendo e o manto vermelho vivo foi colocado num guerreiro matador de dragões, muito parecido com Siegfried. No sincretismo com a Umbanda ganhou um novo lar, a lua, onde a luta com o dragão é eterna, morre e revive todos os meses num ciclo mais antigo que os nossos olhos.
O matador de dragões
Conta o Wikipedia segundo baladas medievais ,
“Jorge encontrou um pobre eremita que lhe disse que toda a cidade (Syle´n) estava em sofrimento, pois lá existia um enorme dragão cujo hálito venenoso podia matar toda uma cidade, e cuja pele não poderia ser perfurada nem por lança e nem por espada. O eremita lhe disse que todos os dias o dragão exigia o sacrifício de uma bela donzela e que todas as meninas da cidade haviam sido mortas, só restando a filha do rei, Sabra, que seria sacrificada no dia seguinte ou dada em casamento ao campeão que matasse o dragão. Ao ouvir a história, Jorge ficou determinado em salvar a princesa. Ele passou a noite na cabana do eremita e quando amanheceu partiu para o vale onde o dragão morava. (…) O dragão, ao ver Jorge, sai de sua caverna, rosnando tão alto quanto o som de trovões. Mas Jorge não sente medo e enterra sua lança na garganta do monstro, matando-o. Como o rei do Marrocos e do Egito não queria ver sua filha casada com um cristão, envia São Jorge para a Pérsia e ordena que seus homens o matem. Jorge se livra do perigo e leva Sabra para a Inglaterra, onde se casa e vive feliz com ela até o dia de sua morte, na cidade de Coventry.”
Mil faces de um herói
Quem leu “O Herói de Mil Faces”, de Joseph Campbell, sabe que Jorge percorre o caminho comum do monomito do herói, a jornada semelhante de todos os heróis guerreiros de nossa sociedade. O herói guerreiro se vê em uma aventura, salvar a donzela das garras de um monstro feroz. E o que faz o herói? Joga a lança no pescoço do dragão e conquista o amor da princesa.
Aprendi com Campbell que mito está longe de ser sinônimo de mentira. Essas histórias são canções da vida que se manifestam em metáforas, como sonhos coletivos. O herói sou eu, você, que tem que todos os dias lutar, morrer e renascer para transformar a realidade.
E o dragão? A figura do deste monstro – do dragão ocidental/medieval – representa… eu ou você. Ou melhor, o ego, aquilo que precisa ser transformado para o nosso despertar espiritual, a conquista da princesa. Não é raro o guerreiro ter que fugir com a princesa para viver feliz num mundo distante, a passagem para a vida adulta ou a morte da vida anterior que deu origem à nova vida.
A história de Jorge conta um pouco da história de nós mesmos, quando decidimos enfrentar nossas sombras, transformadas em monstros enterrados, suprimidas nas cavernas de nosso inconsciente.
E já que o Jorge é você e eu, quero que você me conte quais são as roupas e armas que você usa para transformar. Quais são…? Quais?
Publicado em Mitologia | Etiquetado dragões, jornada do herói, Mito | 2 Comentários »
toda árvore guarda um paradoxo
se antes
se lançarem na origem de sua semente
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